Tumores Ósseos Benignos

Os tumores ósseos benignos são alterações que se desenvolvem no osso e, apesar de não
apresentarem comportamento maligno, podem causar dor, sintomas compressivos em
estruturas vizinhas, crescimento ósseo anormal ou até risco de fraturas. São lesões
relativamente frequentes na prática ortopédica e variam desde alterações assintomáticas,
descobertas em exames de imagem de rotina, até quadros que exigem acompanhamento e
tratamento cirúrgico.

Principais tipos de tumores ósseos benignos

osteoma

Lesão óssea benigna de crescimento lento, geralmente localizada nos ossos do crânio e da face. Constituído por osso compacto maduro, é frequentemente assintomático e descoberto em exames de imagem. O tratamento é reservado para casos com dor, obstrução ou comprometimento estético, e consiste em ressecção cirúrgica simples e definitiva.

osteoma osteóide

Lesão osteogênica de pequenas dimensões, mais comum em jovens adultos. Provoca dor intensa, noturna e de alívio rápido com anti-inflamatórios não esteroides — característica diagnóstica clássica. Predomina em ossos longos como fêmur e tíbia. O tratamento atual é
minimamente invasivo, com radioablação percutânea guiada por tomografia, proporcionando cura rápida e baixo risco de recidiva.

osteoblastoma

Tumor benigno osteogênico de maior tamanho e potencial proliferativo que o osteoma osteóide. Acomete ossos longos e coluna vertebral, podendo causar dor contínua e compressão neural. O manejo ideal é a ressecção completa da lesão, com baixo índice de recorrência e excelente recuperação funcional.

encondroma

Tumor cartilaginoso benigno intramedular, composto por cartilagem hialina madura. Localiza-se principalmente em mãos, pés e ossos longos. Geralmente é assintomático, mas pode levar a fraturas patológicas em lesões volumosas. O tratamento, quando necessário, envolve curetagem e preenchimento com enxerto ósseo ou cimento ortopédico. Casos múltiplos (como na síndrome de Ollier) exigem acompanhamento contínuo devido ao risco de transformação.

condroblastoma

Lesão benigna, porém localmente agressiva, originada de células cartilaginosas imaturas da epífise. Predomina em adolescentes e adultos
jovens, nas regiões articulares de ossos longos, como fêmur distal, úmero proximal e tíbia proximal. Causa dor articular, limitação e edema local. O tratamento é curetagem ampla associada a adjuvantes químicos ou térmicos, com reconstrução óssea subsequente.

fibroma condromixoide

Tumor raro de origem mesenquimal, mais comum na tíbia e fíbula. Manifesta-se com dor leve e aumento de volume progressivo.
Radiograficamente, apresenta-se como lesão excêntrica, bem delimitada e multilobulada, sem sinais de agressividade. A ressecção cirúrgica completa é curativa e o prognóstico é excelente.

displasia fibrosa

Doença óssea benigna caracterizada pela substituição do osso normal por tecido fibroso e trabéculas imaturas. Pode acometer um ou múltiplos ossos (formas monostótica e poliostótica) e associar-se à síndrome de McCune-Albright. Provoca deformidade, dor e fraturas de repetição. O tratamento é individualizado: observação nos casos estáveis e correção cirúrgica com enxertia ou osteotomia em deformidades estruturais.

cisto ósseo simples

Lesão intraóssea benigna e cavitária, preenchida por líquido seroso. Comum em crianças e adolescentes, especialmente em úmero proximal e fêmur. Pode ser assintomático até a ocorrência de fratura. O tratamento pode incluir injeção de corticoides, enxertia óssea ou curetagem com preenchimento, dependendo do risco mecânico e da evolução clínica.

cisto ósseo aneurismático

Lesão osteolítica expansiva, composta por cavidades sanguíneas separadas por septos fibrosos. Acomete ossos longos e coluna vertebral, com crescimento rápido, dor e deformidade. A conduta envolve curetagem ampla, adjuvantes locais (como crioterapia ou cimento ósseo) e, em alguns casos, embolização arterial pré-operatória para redução do sangramento.

tumor de células gigantes

Lesão osteolítica, epifisária e localmente agressiva, típica de adultos jovens após o fechamento fisário. É composta por células estromais mononucleares e numerosas células gigantes multinucleadas, responsáveis pela reabsorção óssea. A classificação de Campanacci auxilia na definição terapêutica: Grau I, limites bem definidos e cortical preservada; Grau II, cortical adelgaçada e expansão óssea; Grau III, ruptura cortical e extensão para partes moles. Nas lesões Campanacci grau III, ou nas que comprometem significativamente a articulação, há risco elevado de colapso e perda estrutural, sendo indicada cirurgia de ressecção segmentar. Em casos avançados, o tratamento pode exigir ressecção articular ampla com reconstrução por endoprótese, preservando função e estabilidade do membro. O uso de denosumabe tem papel adjuvante em casos inoperáveis ou volumosos, reduzindo o volume tumoral antes da cirurgia.

osteocondroma

O tumor ósseo benigno mais comum, caracterizado por uma exostose coberta por cartilagem. Surge em ossos longos, próximos às metáfises, e tende a estabilizar após o término do crescimento esquelético. Geralmente é assintomático, mas pode causar compressão neurovascular ou desconforto mecânico. O tratamento é ressecção cirúrgica quando há sintomas ou crescimento após a maturidade óssea. Nas formas múltiplas (Exostose Hereditária Múltipla), recomenda-se vigilância periódica devido ao risco, ainda que baixo, de transformação maligna.

Sintomas mais comuns

Dor localizada ou limitação de movimentos

Aumento de volume ou deformidade óssea

Sintomas compressivos (quando afeta nervos ou vasos próximos)

Fraturas em ossos enfraquecidos pela lesão

Como tratamos

01

Acompanhamento seriado:

em casos estáveis e sem risco de fratura.

02

Cirurgias minimamente invasivas ou de ressecção:

quando há dor persistente, risco de fratura ou crescimento da lesão.

03

Reconstruções ósseas:

indicadas em situações em que a cirurgia gera perda significativa de estrutura óssea.

Tumores Ósseos Benignos

“Os tumores ósseos benignos exigem avaliação especializada, pois alguns podem ser apenas acompanhados, enquanto outros necessitam de tratamento para evitar dor, deformidade ou fraturas. O objetivo é sempre preservar a função e a qualidade de vida.”